Crisálida me pegou completamente de surpresa. O jogo é INCRÍVEL. Vou começar com a parte mais "técnica" do jogo, e quem sabe assim isso afaste um pouco as pessoas de lerem o resto, quando eu começar a me aprofundar na análise da história do jogo em si. A trilha sonora é simples, mas efetiva. Ela é bem direta em nos colocar exatamente no humor que a história está narrando no momento. Isso envolve o enredo e torna a ambientação completa. Isso, juntamente com a arte e é claro, o roteiro, fizeram com que parecesse quase um filme que eu lia. Mas um filme muito mais etéreo. A arte do jogo não é apenas um caso de inserir a personagem em um cenário. A arte do jogo é uma escolha artística, e deixa você interpretar múltiplas coisas somente na arte em si. Teve uma cena em particular, que quando joguei fazendo live, minha reação foi simplesmente me calar. Parar e observar. Eu só falei algo porque estava streamando, mas jogando sozinha eu teria observado muito mais em silêncio. Tanta pra observar, somente com a arte! E aí vem o roteiro. Puta merda, que roteiro foda. Incrível. Forte. Tem uma palavra que eu amo pra escrever coisas que descrevem/expressam sentimentos fortes de uma maneira clara, crua, direta. A palavra é visceral. Esse roteiro é intenso e visceral. Um comentário muito interessante de um querido do meu chat (que é autor diga-se de passagem) foi que a escrita do jogo leva a gente a sentir tudo com a Iris. Se ela ama, nós amamos. Se ela odeia, nós odiamos. E um comentário ainda mais incrível da mesma pessoa (obg pelo insight, Cross!) é que esse é o único jogo onde todos os finais são o final verdadeiro. E eu achei isso incrível. Porque sentimentos entre duas pessoas são como uma nascente que se divide em mil riachos e rios. Existem mil pontos de vista diferentes em uma relação, e mil coisas a considerar, acusar ou perdoar. Depende do momento, depende da nossa reação, depende do que queremos considerar, depende se vale a pena considerar. Eu nem falei do plot do jogo e nem vou falar. É algo tão forte, que é preciso ser vivido via jogo. E somente via jogo. Porém quero falar algo sobre a ambientação. E não só isso, sobre o que o Crisálida faz, sendo um jogo brasileiro. O Crisálida escreve a história do Brasil pra que a gente não esqueça. O Crisálida fala de quando tivemos um governante fazendo piadas e descaso da maior crise de saúde que tivemos nos tempos recentes. O Crisálida nos lembra que é importante nunca esquecer. Nunca esquecer pra nunca mais cometer o mesmo erro. Se dependesse de mim e de todo mundo que é exposto à história do Crisálida, esse jogo seria indicado ao GOTY de jogo indie do ano. Não é Marisa, até mesmo porque não é de mulher pra mulher. Mas é um jogo de mulheres para o mundo. E eu amo o Crisálida por isso.
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