

Esse é um jogo auto bibliográfico, a desenvolvedora do jogo é também a personagem principal: a Jenny. Saber disso no começo faz você pensar que o jogo vai ser uma experiência muito único dela, mas não. Esse é um jogo que foi pensado em mulheres e meninas. Não que não haja espaço para caras jogarem, mas a realidade é que ele trata de assuntos muito voltados pra mulheres que eram crianças e adolescentes nos anos 90/2000, no auge da obsessão com magreza. Ou pelo menos era isso que eu pensava quando eu comecei a jogar o jogo. À medida que você vai jogando, você vê que o jogo acaba sendo pra todo mundo porque ele fala de coisas que todo mundo passou: pressão interna e externa na adolescência. Em uma época em que a gente mal sabe quem somos, ter que decidir nosso futuro é um desafio gigante e é isso que o Consume Me retrata. A gameplay é muito divertida, faz com que as tarefas não pareçam obrigação e realmente todos os mini jogos tem mecânicas completamente diferentes uns dos outros. A arte do jogo é muito fofinha, apesar de ter sido intencionalmente feita meio como uma caricatura pra fazer você realmente encarnar o papel da Jenny e se sentir meio fora do lugar o tempo todo. Mas no jogo a dev mostra que tem diferentes tipos de desenhar e quando você que o jogo culmina em trazer a Jenny personagem até o presente da dev Jenny. Você sente uma paz no coração ao perceber que assim como a Jenny que virou a dev pro jogo, você também passou pela adolescência sendo um estranho fora do ninho e finalmente se achou. Apesar de ter competido com South of Midnight e Lost Records na categoria de Games for Impact do TGA, o Consume Me é certamente uma menção honrosa que merecia mais destaque e mais amor da comunidade indie.